quinta-feira, 9 de maio de 2013

Blocos de Conteúdos

Blocos de Conteúdos
Com o objetivo de desenvolver uniformemente os blocos de conteúdos (Números e Operações, Espaço e Forma, Grandezas e Medidas e Tratamento da Informação), o professor pode trabalhar com jogos baseando-os em  materiais concretos. O jogo proposto e demonstrado se chama  corrida de animais, composto por dois dados e doze competidores.Percebemos pela  probabilidade que os cavalos  cavalo 7 e 8 tinham mais chances de ganhar. 




O professor deve fazer intervenções em alguns momentos, para dar enfase na atividade aplicada.








Após fazer a explanação de todas as possibilidade confirmamos o resultado do jogo.





















Caça ao tesouro
Os alunos devem fazer um mapa e esconder um presente. Dessa forma o professor trabalha, Espaço e Forma, Grandezas e Medidas e Tratamento da Informação. 









Com essa atividade podemos fazer ligações com vários assuntos, entre eles: geometria, sistema de medidas, proporcionalidade. Essa atividade é uma forma de modelagem onde o  professor fortifica o elo entre a matemática institucionalizada e a matemática contida no cotidiano do educando. A modelagem citada  funciona da seguinte forma: Formulação do problema, construção do modelo matemático que represente o sistema de estudo, dedução da solução para o modelo e testagem do modelo e a solução deduzida pelo o aluno, fazendo ligações com os conteúdos aplicado ou já aplicado pelo o educando. Esse problema pode ser modelado de várias formas, o professor deve efetuar testes com essas modelagens, para confirmar o objetivo que é abordar alguns dos blocos de conteúdos matemáticos. Geralmente o professor de matemática trabalha conceitos sem nenhuma vinculação com a realidade do aluno, praticando o ócio educacional, prendendo-se uma matemática totalmente teórica sem fazer links com a matemática contida no dia a dia dos educandos. 



Grandezas e medidas

Grandezas e medidas
Nas séries iniciais, aplicar Medidas e Grandezas  é de grande  importância para o aluno, principalmente pelas  situações que ocorrem no seu dia a dia. Sobre tudo as que envolvem o auxílio da cidadania  pois através da matemática o aluno pode exercer sua própria cidadania como também  ajudar os seus pais exercerem a cidadania. Num mundo globalizado como o que  vivemos temos que compreender o tamanho e o valor de cada objeto, pois as vezes compramos produtos com o mesma massa e marca de preços diferentes. Exemplo: Um quilo de café é R$ 8,00 e 500g é R$ 3,89. Temos que dois pacote de 500 g que é igual a um quilo é R$7,78. É perceptível que   através do conhecimento matemático a criança pode ajudar os seus pais nas tarefas do dia a dia. 

Para podermos fortificar  essa matemática presente no dia a dia do aluno, o professor pode usar problemas e utilizar na resolução desses problemas materiais concretos, como copos, bolinhas de gude, siringas para dar precisão em medidas líquidas, construção de caixa com matérias recicláveis, balde para simular uma balança, para ter uma noção melhor de proporcionalidade. Dessa forma quando o professor aborda o conteúdo por exemplo o sistema de Grandezas e Medidas em sua teoria, de imediato o aluno relaciona essa matemática aplicada no seu dia a dia. Isso contribui bastante, pois as medidas estão presentes na vida dos alunos, pois tudo que ele visualiza nesse mundo tem uma medida, isso faz com que ele abstraia o seu conhecimento matemático. 

Edney de Menezes
























Grandezas e medidas
Por: EDNA ALVES NEVES
Nas séries iniciais, trabalhar Medidas e Grandezas é de suma importância para o dia-a-dia do estudante. É nessa vida moderna que vem a necessidade de saber compreender o tamanho e o valor de cada objeto. 

Quando o professor inicia uma aula e aborda o tema Grandezas e Medidas, logo o estudante associa-o ao seu cotidiano; a vida dele é uma constante medida. Cada objeto em sua casa tem um tamanho e/ou mede alguns centímetros. 

Essa importância é caracterizada por ser um conteúdo vinculado ao cotidiano do estudante, de relevância no mundo em que vivemos. Muitas atividades cotidianas das crianças envolvem medidas, como por exemplo, tamanhos dos objetos, pesos, volumes, temperatura diferente e outras. 

O educador deve ter claro que ao longo do Ensino Fundamental, bem como da Educação Infantil, as atividades propostas devem propiciar a compreensão do processo de medição. É na Educação Infantil que as crianças aprendem que medir significa comparar grandezas. 

Quando esse conteúdo é bem trabalhado, o rendimento no Ensino Fundamental melhora - afinal, a medição está diretamente ligada não só à geometria e à estatística, mas também a outras disciplinas. 

Nas Ciências da Natureza, medir é essencial. Nas Humanas, usamos escalas e especialmente, medidas de tempo. E nas Artes há as noções de proporcionalidade. Isso sem falar nos usos cotidianos, como em receitas culinárias e na aplicação de medicamentos. 

O professor deve atentar-se para o conhecimento prévio de cada estudante, pois, quase toda criança já viu alguém usar tipos de medidas. O professor deve partir da realidade onde está localizada a escola, as medidas usadas pelos pais, como braças, polegadas, léguas, com unidades de tempo, como dia, mês e ano, partindo assim de questões simples: quantas braças têm o terreno do teu pai, as polegadas de um objeto que ele conhece bem, quantos meses faltam para as férias! Deve pendurar um calendário na parede e explicar seu significado. Quando todos ficarem craques em consultar as datas, lança-se um desafio: fazer o próprio calendário.
TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO
Basta abrirmos um jornal, uma revista ou assistirmos à televisão para percebermos que, cada vez mais, a estatística é incluída ao nosso cotidiano e ao de nossos estudantes. Informações de toda natureza passam rapidamente sob nossos olhos em forma de gráficos e tabelas. Este se tornou um hábito tão comum no dia a dia de qualquer pessoa, mas será que os livros didáticos estão vendo a estatística como uma linguagem usual a ser ensinada? 

A exposição de dados através de gráficos e tabelas faz parte da linguagem universal matemática e sua compreensão é requisito básico para a leitura de informações e análise de dados. No entanto, para um receptor não alfabetizado em estatística os modos de representar a complexidade de informações podem oferecer dificuldades de entendimento. O não entendimento, a interpretação intuitiva ou equivocada da matemática estatística pode ser uma forma de exclusão do indivíduo da sua cidadania, tornando-o um sujeito mais facilmente manipulável. 

Ensinar estatística para as crianças desde o período de alfabetização tornou-se uma necessidade social. Não pensamos o seu ensino de um amontoado de fórmulas e cálculos, mas em desenvolver no aluno a habilidade de coletar, organizar, interpretar e tomar decisões frente aos dados, utilizando a estatística como ferramenta. 

A estatística passou, então, a ser alvo de muitos educadores e livros didáticos a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do ensino fundamental, em 1997, pois em seu terceiro volume (destinado à Matemática) um dos princípios norteadores reconhece a importância das diferentes formas de representar as informações matemáticas e a sua relação significativa com a realidade do aluno. 

Ao refletirmos sobre a importância de tratar a estatística na escola como uma linguagem a ser ensinada para desenvolver a habilidade de ler, interpretar e organizar dados matemáticos, sentimos que ainda há muito a ser feito na educação matemática em relação ao tratamento da informação. Os documentos oficiais solicitam o seu ensino e a sociedade reconhece a importância do assunto para a formação do cidadão, no entanto, raramente faz parte da prática de sala de aula. 

Os livros didáticos, que são fontes de pesquisa dos professores, não têm clareza do que é tratamento da informação e aqueles que incluem o assunto em seus conteúdos, fazem-no de forma desvinculada com a realidade, com dados prontos, sem que o aluno precise coletar, organizar e interpretar. Os tratamentos são muito valorizados principalmente nas tabelas (que são utilizadas em todos os livros), e as conversões são esquecidas. A quase ausência de mudança de sentido entre as conversões observadas nos livros didáticos mostra que o pouco que se fala em ensino de estatística ainda aparece de forma estanque, como a maioria dos conteúdos desta disciplina. 

Agora, fator essencial, preponderante que deve ocorrer: a conscientização de que o ensino da estatística deve acontecer de forma contextualizada, participativa e utilizando os diferentes registros de representações que os gráficos e tabelas permitem para que o aluno seja capaz de ir e vir entre eles, conjecturar, refletir e tomar decisões frente aos dados.
RESOLVER PROBLEMAS: O LADO LÚDICO DA MATEMÁTICA
As atividades lúdicas (jogos, brincadeiras, brinquedos...) devem ser vivenciadas pelos educadores. É um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, bem como uma possibilidade para que afetividade, prazer, autoconhecimento, cooperação, autonomia, imaginação e criatividade cresçam, permitindo que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer e construir. 

Quando crianças ou jovens brincam, demonstram prazer e alegria em aprender. Eles têm oportunidade de lidar com suas energias em busca da satisfação de seus desejos. E a curiosidade que os move para participar da brincadeira é, em certo sentido, a mesma que move os cientistas em suas pesquisas. Dessa forma é desejável buscar conciliar a alegria da brincadeira com a aprendizagem escolar. 

A palavra “problema” ocorre em muitas profissões e tem significados distintos. Para definir problema, é possível compreender que é uma palavra que identifica a questão como “uma situação que um indivíduo ou um grupo quer ou precisa resolver e para a qual não dispõe de um caminho rápido e direto que o leve à solução”. Entretanto, compreende-se que problema matemático “é qualquer situação que exija a maneira matemática de pensar e conhecimentos matemáticos para solucioná-la”. 

Dada a importância que se atribui à Resolução de Problemas como estratégia para ensinar Matemática e dada as dificuldades apresentadas pelos alunos em todos os níveis de ensino no momento da efetiva resolução de problemas, cabe destacar a importância da resolução de problemas desde as Séries Iniciais do Ensino Fundamental, compreender as estratégias utilizadas e as principais dificuldades encontradas pelos alunos. É grande a possibilidade de vivenciar a Matemática nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, mais especificamente na 3ª e 4ª séries, através da metodologia de Resolução de Problemas, sendo plenamente viável e profundamente gratificante quanto aos resultados alcançados. O professor deve utilizar-se de propostas de ensino, baseadas em resoluções de situações-problema, procurar desenvolver uma prática em sala de aula que incentive e desenvolva a criatividade do estudante, fazendo-o buscar estratégias próprias para a obtenção de soluções satisfatórias. 

Ao examinar e comentar respostas fornecidas pelos alunos às situações-problemas propostas, no decorrer a prática em sala de aula, pode observar as várias estratégias utilizadas por eles de forma extremamente criativa. As intervenções realizadas nos momentos das resoluções e correções procuram propiciar e incentivar a diversidade, valorizando a individualidade. Tanto as análises feitas dos erros cometidos durante as resoluções, quanto as sugestões para as devidas correções trazem amadurecimento e crescimento pessoal, porque “os erros podem informar tanto a respeito das dificuldades que um aluno apresenta para dominar procedimentos técnicos ou estratégicos, como o tipo de teorias ou crenças com as quais ele lida em determinado momento”. As dificuldades dos alunos quanto à linguagem matemática devem ser esclarecidas através de atividades específicas de elaboração de situações-problema, bem como releituras de desafios previamente trabalhados com a turma. 

O professor deve inserir-me neste mistério que é o trabalho com a Matemática nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, que exige desprendimento, pesquisa, interação. Precisa de inspiração e paciência, para deixar a experiência acontecer, uma vez que “ninguém pode aprender da experiência do outro, a menos que essa experiência seja de algum modo revivido e tornada própria”. 

Sabiamente Exupéry revela que “Quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer.” (SAINT-EXUPÉRY, 1996, p. 10).
Edna Alves Neves 
Pedagoga
Pós-graduanda em Psicopedagogia Institucional
Referências:

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. 2. ed Brasília: MEC/SEF, 1997. 
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: AGIR, 1996.

Frações

Frações

Tiras de equivalência
É uma forma muito interessante de presentar de forma concreta as frações. Nesse caso o próprio aluno deve fazer suas tiras de equivalência da seguite forma: Pegue 3 folhas, divida verticalmente a folha em três parte iguais. Terá um total de 12 tiras devemos fazer as seguinte divisões através de dobras.
1;1/2;1/3;1/4;1/5;1/6;1/7;1/8;1/9;1/10;1/11;1/12.

Exemplo.


Corridas dos animais
A corrida funciona da seguinte forma. Posicionamos 12 cavalos em uma linha, uma semi reta. O primeiro dado é a quantidade que o inteiro será dividido, ou seja o DENOMINADOR e o segundo e quantas vezes essa parte irá percorrer, ou seja, O NUMERADOR.
É uma excelente recurso didático para demonstrar aos alunos as semelhanças entre as frações.O trabalho com frações equivalentes com a utilizações de material concreto,  nos permite comparar, somar e subtrair, além de ajudar a entender como frações se relacionam com razões e proporções, idéias que aparecem em quase todas as partes da Matemática escolar, estruturando as bases dos conhecimentos novos adquirido pelos educandos. Dizemos que duas frações são equivalentes quando elas representam a mesma quantidade, ou seja, estão escritas de formas diferentes, mas com medidas congruente. Além da forma mostrada existem outras para que os  professores trabalhem as equivalências com material concreto, o BARALHO DAS FRAÇÕES, que se encontra em anexo nos arquivos importantes no blog. 



Fração Equivalente




Frações diferentes que expressam quantidades iguais
Frações diferentes que expressam quantidades iguais
Dizemos que uma fração é uma parte de um inteiro que pode ser representada geometricamente ou numericamente. Podemos dividir o inteiro em diversas partes, as quais representarão quantidades diferentes e outras que representarão uma mesma quantidade. No caso de frações diferentes que representam a mesma quantidade, damos o nome de frações equivalentes. A única condição para que existam frações equivalentes é que elas pertençam ao mesmo inteiro. Observe o retângulo a seguir, ele representa o inteiro:


Ao dividirmos ao meio, isto é, em duas partes, e destacarmos 1 parte, teremos a seguinte fração:  .


Dividindo o mesmo inteiro em 4 partes e destacando 2, teremos a seguinte fração: .



Caso o inteiro seja dividido em 16 partes iguais e destacamos 8, a fração  representará numericamente a seguinte parte geométrica:

As frações apresentadas são equivalentes, todas possuem representação numérica diferente, mas expressam quantidades iguais. Nesse caso, elas estão representando sempre a metade do inteiro. Observe as frações na forma geométrica e numérica:
Para indicarmos quando duas ou mais frações são equivalentes, utilizamos o símbolo ~ ou o símbolo da igualdade +.

Para identificarmos se duas ou mais frações são equivalentes, basta aplicarmos os princípios de simplificação conhecidos, isto é, dividir o numerador e o denominador pelo mesmo número, reduzindo a fração à forma irredutível. Se as formas irredutíveis forem idênticas, dizemos que as frações são equivalentes. Veja exemplos:


Verifique que as frações ao serem reduzidas à forma irredutível se tornaram idênticas, portanto, elas são equivalentes.
Por Marcos Noé
Graduado em Matemática



UTILIZAÇÃO DE MATERIAL CONCRETO NO ENSINO DE MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL


UTILIZAÇÃO DE MATERIAL CONCRETO NO ENSINO DE MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS DO
ENSINO FUNDAMENTAL

Daniel da Silva Silveira (danielsilvarg@gmail.com)
Vanessa Silva da Luz (vanessa.furg@hotmail.com)
Tanise Paula Novello (tanisenovello@furg.br)


Linha de trabalho: Formação docente
Grupos de trabalho: Formação continuada, extensão, grupos de estudo ou coletivos de professores.

1- Contexto do Relato

            O presente trabalho relata sobre o projeto “A utilização de material concreto no ensino de Matemática nos anos inicias do Ensino Fundamental” que está sendo desenvolvido na Escola Municipal João de Deus Collares do município de São José do Norte/RS. O projeto foi proposto a partir do interesse da equipe gestora da escola, juntamente com o corpo docente, que procuraram professores da Universidade para formar uma parceria entre a Instituição de Ensino Superior e a escola.
            A necessidade surgiu, pelo baixo rendimento obtido pela escola na avaliação do Índice de Desenvolvimentos da Educação Básica (IDEB). A partir dessa demanda estabeleceu-se uma pareceria Universidade e escola na busca por alternativas e possíveis soluções para minimizar tais problemas. Para tanto, a escola através do incentivo financeiro do governo adquiriu vários materiais concretos para o ensino de Matemática com o intuito de aprimorar a prática docente.
            Os educadores tendo notado que seus alunos estão aprendendo mecanicamente as operações matemáticas fundamentais, tem procurado outras estratégias pedagógicas para ensinar esses conceitos, especialmente pela utilização de material concreto. Precisamos mudar esta realidade em virtude da necessidade da escola acompanhar os processos de transformação da sociedade em meio à essas demandas. Foi com esse objetivo que a equipe do projeto elaborou as atividades e selecionou os textos para serem discutidos durante os encontros com os professores desta escola.
            Sabe-se que a problemática da matemática nas séries iniciais é decorrente, muitas vezes da falta de conhecimento específico por parte dos docentes sobre a gênese da construção do sistema numérico e das quatro operações utilizando o concreto.
            As crianças são imersas no mundo dos números, muitas vezes sem compreendê-los. É trivial vermos na escola a repetição de seqüências numéricas sem o estabelecimento de relações entre símbolos e quantidades. O fato de a criança saber processar o algoritmo não garante que tenha aprendido. Esse fato, evidencia a importância de viabilizar espaços de formação continuada para os docentes discutirem estratégias pedagógicas para trabalhar a alfabetização matemática nas séries iniciais.
O mundo de informações ao qual o sujeito está exposto, não necessariamente pode não significar situação de construção de conhecimento. Nesse contexto, o papel da educação é fornecer condições para criação de ambientes significativos que favoreçam, efetivamente, o desenvolvimento de novas habilidades cognitivas e construir saberes que contribuam para a troca de atitudes e comportamentos, individuais e coletivos, permitindo a recriação de novas relações resultantes das interações entre ambiente e os elementos sociais, culturais e históricos (ORELLANA, 2002).
            A Matemática ensinada propõe-se desenvolver o raciocínio lógico do estudante, porém as atividades propostas muitas vezes contemplam apenas a memorização de regras e a sistematização de algoritmos. Cabe salientar, que a abstração da Matemática é importante, contudo esse deve ser um processo decorrente da construção de noções, a partir de situações significativas que possibilitem compreendê-los.
Diversos estudos na área de educação matemática, tem evidenciado a importância de trabalhar os conceitos matemáticos a partir do contexto dos estudantes, pois estreita o processo de relação entre o concreto e o abstrato. Micotti (1999, p.162) ressalta sobre a importância do ensino da matemática estar vinculado a situações da vida diária:
“o caráter abstrato dos estudos matemáticos surpreendem os principiantes nos primeiros contatos com o mundo de idéias e representações, desprovidas das particularidades das coisas materiais. Apesar de a matemática ser utilizada e estar presente da vida diária, exceto para quem já compartilha desse saber, as idéias e os procedimentos matemáticos parecem muito diferentes dos utilizados na experiência prática ou na vida diária.”

A Matemática tem sido introduzida sem considerar o desenvolvimento espontâneo ou natural das operações lógico-matemáticas no pensamento da criança e do adolescente. Para Piaget (1997) é da ação que a inteligência, o pensamento e a lógica derivam, pois a operação nasce da ação. Ao preconizar a inteligência Piaget estabeleceu uma seqüência de etapas em que o pensamento concreto antecede a de pensamento abstrato necessariamente. Decorre daí, que os primeiros níveis apoiados em material concreto, servem de alavancas para o desenvolvimento dos níveis superiores de pensamento necessários não só para o avanço das idéias matemáticas, mas também para a compreensão dos processos de aprendizagem de todas as disciplinas do currículo básico.
Existem diversas formas de ensinar matemática, o que é determinante nesse contexto é a prática pedagógica do professor. É papel dele trabalhar com diferentes contextos para que os estudantes compreendam tanto os conceitos abstratos quanto as manipulações simbólicas desses. É a partir desse processo de manipulação que acontece a construção do conhecimento que é singular a cada sujeito.
Assim, decidiu-se elaborar oficinas numa perspectiva teórico-prática contemplando esses materiais de forma a potencializar o pensar sobre essas questões voltadas para o ensino de matemática. De forma geral, as oficinas foram organizadas da seguinte forma: resgate histórico do material concreto, proposição de atividades de experenciação, análise dos limites e potencialidades da atividade e abstração do conceito matemático a partir dessas atividades.

2- Descrição das Atividades

            O grupo é composto por seis acadêmicos, dois professores da instituição e duas professoras da escola, o coletivo reúne-se semanalmente para planejar as atividades e discutir as ações realizadas. O curso foi planejado para 31 professores das series iniciais do ensino fundamental em oito encontros semanais com duração de duas horas.
A seguir será explicitado o planejamento das oficinas: no primeiro encontro discutiremos o papel do professor no ensinar e para quem ensinar, apresentando um vídeo com entrevistas realizadas com professores das séries iniciais, apreciando a prática pedagógica desses para a partir do vídeo discutirmos no grande grupo o entendimento das educadoras sobre estratégias metodológicas possíveis para o ensino de matemática com enfoque na utilização de matérias concretos. Nos demais encontros, seguirá a mesma dinâmica realizando um breve resgate histórico dos materiais pedagógicos. As atividades contemplarão a manipulação de blocos lógicos, ábaco, material dourado, discos de fração e cuisinaire.

3- Análise e Discussão do Relato

            Em geral, a matemática tem sido abordada de forma abstrata, com poucas demonstrações concretas dos conceitos com a realidade, fato esse que dificulta o entendimento dos discentes e como conseqüência muitos passam a não gostar dessa ciência. Estudos mostram que o material concreto tem sido utilizado como intermediário entre a prática da sala de aula e a aprendizagem, possibilitando que os estudantes façam experimentos e estabeleçam relações entre as situações experienciadas com o uso dos materiais e a abstração dos conceitos estudados. O desafio é durante as oficinas apontar caminhos para superar a dificuldade de desenvolver atividades que provoquem o envolvimento, a participação ativa dos alunos e a interação vinculando os conteúdos matemáticos a situações reais e próximas das vivências deles.

“É papel da escola criar espaços e situações que potencializam a interação, o que implica interagir nos contextos social, afetivo e cultural que influenciam os mecanismos de assimilação dos objetos do conhecimento, o desenvolvimento da aprendizagem e a maneira como as competências humanas evoluem”(MORAES, 2004).

Através da iniciativa da escola em buscar estreitar laços com a comunidade universitária, objetivando promover espaço de discussão e problematização do ensino de conceitos matemáticos, o grupo está podendo experienciar os materiais concretos vislumbrando como esses auxiliam na aprendizagem de forma mais significativa.

4- Considerações Finais

Os encontros estão sendo gratificantes, tanto para a equipe como para os educadores da escola. Para os docentes a aproximação da formação continuada com a inicial parece-nos rica e significativa, oportunizando a reflexão e estabelecendo relações dos conteúdos matemáticos com a vida cotidiana.
A prática pedagógica sem reflexão teórica é mera situação de treinamento. Por isso, precisa existir um currículo articulado, diversificado, em que o embasamento teórico é fundamental, para não ficarmos apenas na prática pela prática.
Como primeiros resultados esperam-se uma qualificação dos docentes para o trabalho com os conteúdos matemáticos. Assim, deverá elevar o nível de conhecimento dos alunos, permitindo-lhes melhor apropriação dos conceitos, aplicação em situações de seu cotidiano e conseqüente aumento dos índices do IDEB, além da formação acadêmica complementar da equipe do projeto.


5- Referências

BICUDO, Maria Aparecida Viggiani, BORBA, Marcelo de Carvalho. Educação Matemática: pesquisa em movimento. São Paulo, Cortez, 2004.
CARRETERO, Mario. Construtivismo e Educação. Porto Alegre, Artes Médicas, 1997.
MICOTTI, M. C. O. Micotti, M.C. de O. (Org.) . Alfabetização: aspectos teóricos e práticos. 1. ed. Rio Claro - SP: Instituto de Biociências de Rio Claro - UNESP, 1999.
MORAES, M. C. Pensamento eco-sistêmico: educação, aprendizagem e cidadania no século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
ORELLANA, I. La estrategia pedagógica de la comunidad de aprendizaje: definiendo sus fundamentos, sus practicas y su pertinencia en educación ambiental. In: SAUVÉ, L., ORELLANA, I. e SATO, M. Textos escogidos en Educación ambiental, de una América a la otra, Tome 2, ERE-UQAM, Université du Québec, Montreal, 2002.
PIAGET, Jean. A Psicologia da Criança. Porto, Asa, 1997.
SIMONS, Ursula Marianne. Blocos Lógicos: 150 exercícios para flexibilizar o raciocínio. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.






            

Memorial


Tudo começa com uma pergunta. Porque ser professor de matemática?
Para que vocês entenderem melhor meu gosto pela matemática é necessário que eu faça  uma retrospectiva da minha vida. Nasci no dia 19 setembro de 1975 as 15:30 hs, no Núcleo Bandeirante, sexto filho de uma família. Meu pai era um marceneiro e minha mãe era dona de casa, acho que o termo que mais se enquadra melhor é guerreira, para criar seis filhos em um assentamento do governo esquecido por todos os governantes da época.
 Sempre ouvia meus irmão falar que a escola não era legal, que na escola tinha vários professores carrascos isso já gerou um certa fobia do ambiente escolar. Aos seis anos fui a escola, saindo da minha pseudo zona de conforto que chamava de minha rua, e cai naquele inferno criado pela minha mente, devido aos diversos comentários dos meus irmãos. O pior é que apesar da fobia  não podia reprovar pois a surra no final de ano era certa.  
Foi a primeira vez que tive contato com aquela matemática institucionalizada, vendo meus colegas responderem conforme era imposto pela a professor. Engraçado não meu lembro da minha professora da primeira série, pois foi tão insignificante que não me lembro de quase nada daquele ano. Recordo-me sim da professora Teresinha da segunda série, atual terceiro ano, era educação em pessoa, baixinha, gordinha, cabelos grisalhos, parecia uma daquelas senhoras que o marido era funcionário público e ela para não ficar parada ia dar aula, mas ela era muito mais que isso, era uma boa pessoa. Ensinou etiqueta para os alunos, coisas que uso até hoje, mas o conteúdo ficou pelo caminho.
Chegando na terceira série, percebi que as coisas estavam ficando mais sérias, muita coisa no quadro para escrever, minha grande dificuldade era copiar, pois desde aquela época tenho um problema sério de visão, que nem minha mãe e  nem meus professores perceberam. O problema era que só os alunos nota 10 poderiam sentar na frente, sofria em silêncio querendo aprender mais não podia. Então desenvolvi um técnica para aprender escutando, passava mas não me convencia. A matemática ainda era um monstro desconhecido para mim passava sempre com notas baixas sem entender que ela estava presente na minha vida, pois meu pai era marceneiro.
Na quarta série tive uma professora nova e bonita, minha primeira paixão, com muitas ideias revolucionária de esquerda, pregava que tínhamos que ter opinião própria, levou até um Vinil da Banda Peble Rude para escutarmos, mas conteúdo mesmo só ficou no papel. Mas o importante para mim era não apanhar no final do ano. E tinha mais uma clausula do castigo da minha mãe, era seu eu reprovasse passaria toda as férias de castigo. Ficar sem soltar pipa no final do ano era o fim para mim. Mas com a técnica de aprender escutando passava com notas baixas mas passava. Para completar via meu pai se definhando em um alcoolismo e falta de cuidados próprio com a alimentação.  Isso foi até a conclusão do ensino médio, terminei não sabendo escrever, ler e tão pouco sabendo dos algoritmos básicos da matemática.
Aos 18 anos o que sobrou para mim foi um  sub emprego, fui carregar peças em uma concessionária de carros. Tive contato com engenheiro, advogados, administradores, mecânico, políticos, que em alguns momento da minha vida me falaram que era um homem inteligente, que até aquele momento nunca havia pensado que eu era capaz de aprender. Juntei algumas economias conseguidas através do árduo trabalho e entrei em um curso preparatório para vestibular de 18 meses. Era um curso onde reuniram os melhores professores do DF, para fazer um trabalho quase social. Ali eu conheci a matemática e esse lindo oficio que chamamos professor.
O professor Carlos com sua didática excepcional e uma amor a profissão, me jogou no mundo do  conhecimento e da dúvida. Em 18 meses conseguiu recuperar 12 anos perdidos da minha vida escolar. Sem muito recurso didático consegui ensinar geometria de forma totalmente clara e sólida, reforçando os alicerces do meu conhecimento, usando da matemática contida em nossas vidas para aplicar a institucionalizada. Passei em três faculdade mas por força maior tive que largar. Mas esse conhecimento foi muito útil pois fui promovido várias vezes na empresa devido ao meu bom desempenho nas minhas tarefas, graças a tomadas de decisões rápidas e inteligente. Em 2008 voltei a estudar com o intuito de tentar mudar um pouco a educação no nosso país, Graças ao Carlos eu mudei a minha vida, saindo daquele buraco que chamamos pseudo zona de conforto.
Isso que devemos trabalhar nas crianças de séries iniciais, base fortes para que elas possam pensar.